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Na realidade, as pessoas gostam do “mais do mesmo”

Fonte: <a href='http://br.freepik.com/vetores-gratis/projeto-do-respingo-da-aguarela-com-slogan_990565.htm'>Designed by Freepik</a>

Abro o Instagram e o Facebook e, ultimamente, nos perfis empreendedores que sigo, me deparo apenas com teasers e frases motivacionais, do tipo “foco, determinação e atitude”, porque essas, teoricamente, são as únicas coisas que você precisa para chegar aonde quer.

Aparentemente, as pessoas parecem gostar disso, porque esse tipo de publicação sempre tem muitas curtidas. Várias perguntas me vêm em mente quando vejo isso e, particularmente, considero algo bastante problemático, principalmente pela ideologia que, inevitavelmente, está por trás disso.

Meu primeiro questionamento já começa aí mesmo. Por que as pessoas gostam disso? Pois bem, vejo duas respostas possíveis: 1) as pessoas gostam que alguém diga a elas o que devem fazer; 2) as pessoas gostam que alguém diga a elas coisas que elas já sabem. Alguém aqui não sabe que é preciso foco para conseguir o que se quer? Alguém aqui não sabe que é preciso atitude, iniciativa, botar a mão na massa, já que as coisas não vão acontecer sozinhas? Não! Todo mundo sabe disso. Mas mesmo assim, por algum motivo, parece ser gratificante e inspirador ler e ouvir palavrórios “mais do mesmo”.

Embora possa parecer algo vazio, que não traz nada de novo, os discursos motivacionais que seguem esse padrão estão repletos de imperativos que você já sabe, mas não cumpre. E esta é, possivelmente, a razão pela qual caíram no gosto do povo: eles confirmam aquilo que você já sabe, e justificam o fato de as coisas não estarem saindo conforme o esperado. Até aí tudo bem. Porém, o grande problema surge quando você começa a analisar a essência desse discurso, o que está sendo dito nas entrelinhas.

Primeiro, motivação não é tudo. Na jornada de fazer acontecer aquilo que você busca, vários outros fatores contam. É claro que a motivação é importante, assim como todos os demais aspectos, uma vez que estar desmotivado(a) pode ser uma barreira aparentemente instransponível para se chegar aonde quer e correr atrás daquilo que é preciso. No entanto, estar motivado nem sempre basta. Você pode estar absolutamente empenhado(a) em algum projeto, fazendo o possível e o impossível para vê-lo dando certo, correndo atrás de todos os recursos que estão ao seu alcance e, ainda assim, simplesmente não dar certo pra você. Já se sentiu nessa situação? Eu sei que eu já.

Portanto, quando a ideia do “foco, determinação e atitude” é replicada, a mensagem que está sendo transmitida a é de que você nunca está suficientemente motivado(a), nunca está suficientemente focado(a) e nunca está fazendo o melhor que você pode. Essa mensagem apóia e legitima o pensamento de que você sempre precisa dar mais e mais de si mesmo(a), por consequência levando as pessoas a um estado cada vez menos consciente de seus próprios limites, e do quão prejudicial pode ser forçá-los ao extremo. Essa é uma das principais causas de adoecimento mental, e tem a ver com o segundo ponto a ser levantado, que é:

O processo também é importante. Às vezes (na verdade, quase sempre), até mais do que o resultado. Por isso, é muito estranho pensar que estamos inseridos em uma sociedade que valoriza unicamente os resultados alcançados. O processo, ou seja, o caminho que fazemos até chegarmos ao resultado deve ser igualmente apreciado, pois traz consigo algo muito importante: aprendizado.

Muitas vezes, vamos nos dedicar ao extremo e mover céus e terras em busca do melhor resultado, e mesmo assim não vamos alcançá-lo. Isso acontece com todo mundo em algum momento. Ainda assim, isso não joga no lixo o esforço empreendido ao longo do projeto. Pelo contrário, é isso que fica, pois vai servir como aprendizado para os desafios futuros. O reconhecimento tanto pessoal quanto externo - exclusivamente dos resultados pode levar à frustração e à (olha ela aqui de novo) desmotivação, por exemplo, após um longo projeto que não gerou frutos da maneira esperada.

Dito isto, meu objetivo aqui é levantar um questionamento a respeito da forma como compreendemos o que é empreender (no sentido amplo da palavra) e o que isso custa. Seja iniciando seu próprio negócio, ou engajando-se num projeto pessoal, como por exemplo, começar uma dieta, é necessário ter em mente que sempre haverá diversos fatores contribuindo ou atrapalhando o seu sucesso. Alguns serão fatores externos e que, como tais, não dependem apenas de você. Porém, outros serão fatores internos, os quais você tem o poder de transformar, mas, para isso, precisa ter consciência deles.

Uma das formas de se tornar cada vez mais autoconsciente de seus próprios limites é por meio da psicoterapia. Um(a) psicoterapeuta vai ajuda-lo(a) a identificar suas limitações, e aquilo que te impede de alcançar seus objetivos, não sem antes aprofundar e levar à reflexão a respeito dos objetivos que você escolheu e definiu para si mesmo(a).

Você quer reconhecer e trabalhar suas limitações? Entre em contato com os psicólogos do Janela Interna!
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