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Polaridade

Todos nós já experimentamos, em algum momento, um dilema interno. Alguns dos mais comuns são: razão X emoção, querer X dever, eu X o outro, quem eu sou X quem eu queria ser. Além disso, existem também aqueles conflitos gerados por características internas opostas que possuímos, mas que não acreditamos poderem coexistir, em função de suas naturezas contraditórias. Por exemplo, posso possuir a característica do altruísmo, mas também a sua polaridade, o egoísmo. Nessas situações, é como se sentíssemos que nossas forças internas estão agindo em sentidos opostos.
Normalmente, tendemos a pensar que temos que escolher entre um e outro. O clássico conflito razão X emoção é um excelente exemplo que pode surgir em momentos de decisão, e que geralmente acaba nos levando a uma interminável disputa interna. O mesmo acontece com a nossa realidade interior, uma vez que possuímos tanto características aceitáveis quanto inaceitáveis, de acordo com a norma socialmente difundida e, nesses casos, acabamos…

Psicólogo é para doido? Resposta definitiva

Afinal, psicólogo é para doido? A resposta simples é: depende! É uma pergunta que tem resposta sim, mas precisamos entender a pergunta para respondê-la. Primeiro, o que você está chamando de doido? Se existem doidos, existem pessoas normais? Supostamente sim, certo? Se tem gente doida, também tem gente não-doida, que é o que no senso comum dizemos que são pessoas “normais”. Se você chama de doido aquelas pessoas que precisam de cuidados especiais no quesito saúde mental, então você está se referindo às pessoas com transtornos mentais e com sintomas psicóticos. Psicólogos também tratam e ajudam essas pessoas. Então, olhando por este lado, psicólogo é para doido sim. Mas a resposta mais adequada é: psicólogo é para doido também! O também é explicado pelo fato de psicólogos terem condições de ajudar (e muito) pessoas que não sofrem de transtornos mentais também! Por exemplo, a maioria dos meus clientes não tem nenhum transtorno mental, mas vivem situações que trazem sofrimento. E é por isso qu…

Auto-suporte

O assunto de hoje é auto-suporte (ou auto-apoio). Escolhi este tema devido a uma reflexão pessoal à qual a prática clínica tem constantemente me levado nos últimos anos. Não sei se é um sintoma da nossa sociedade contemporânea, mas tenho visto com muita frequência uma dificuldade geral das pessoas em suportar-se a si mesma (o pleonasmo é intencional), e tendendo a buscar apoio externamente; no meio, ou no outro. E neste contexto, a palavra suporte refere-se desde o aspecto emocional – buscar desfazer-se da dependência emocional do outro – até aspectos objetivos – mobilizar a energia necessária para correr atrás de seus objetivos de vida por conta própria.
Tenho visto, a cada dia, as pessoas buscando apoio no outro de forma exagerada, de modo a delegar ao outro a responsabilidade de fornecer as ferramentas necessárias para seu crescimento. Isso acontece, principalmente, devido ao modo como lidamos com nossas frustrações. Um exemplo comum, utilizado por Perls (1977), refere-se a um discu…