Pular para o conteúdo principal

Por que muitas pessoas não conseguem mudar?

pessoas não conseguem mudar
Fonte: http://siteware.com.br/contentools/mudan%C3%A7a_borboleta.png
Apesar do desejo, muitas pessoas não conseguem mudar. Apesar de saberem exatamente o que têm que fazer para isso, não conseguem. Mesmo sabendo onde querem chegar, não alcançam o objetivo.
Neste texto, trataremos deste assunto de interesse recorrente na nossa sociedade.
Cada pessoa é única, portanto não existe uma regra absoluta para conseguir transformar-se, mas existem pontos fundamentais para reflexão. Esses pontos trazem os esclarecimentos necessário para dar os primeiros passos.
E lembre-se que toda mudança requer contínuo exercício, pois a experiência recorrente fortalece a incorporação da mudança pelo seu organismo.
Veja a seguir as dicas para reflexão e esclarecimento que propomos àqueles que querem entender os porquês de ser tão difícil mudar.

Quais pessoas não conseguem mudar?

Qualquer pessoa pode passar por esta dificuldade. Todos nós temos o potencial criativo mas também temos o potencial para enrijecer. Transitamos entre eles nossa vida inteira.
Não é incomum chegar um novo cliente com a queixa de que quer voltar a ser como era há X anos atrás, no qual era uma pessoa leve que conseguia lidar com as dificuldades, e, por conseguinte, ser mais feliz.
A dificuldade em mudar está diretamente relacionada ao enrijecimento da existência, ou seja, a vida parece repetir-se e as experiências muito semelhantes, assim como as dificuldades. Portanto, o potencial de maleabilidade e expressão criativa precisam ser redescobertos.
As pessoas que não conseguem mudar precisam disso: ampliar a consciência para reconhecer as potencialidades criativas, e usá-las para as mudanças desejadas.
O processo psicoterapêutico consiste – além de outras coisas – de explorar esta criatividade, na qual o organismo reencontra o fluxo para ser integralmente saudável. E abandonar as crenças e posturas rígidas associadas aos sofrimentos vividos.
Vamos ver alguns fatores que contribuem para adormecer a criatividade.

Racionalização exagerada

Como assim? Racionalizar demais está relacionado a não conseguir mudar?
Sim! Vou explicar os motivos.
Por exemplo, um homem pode querer ser um melhor marido. Assim, ele pesquisa o que significa ser um bom marido em livros, pergunta aos os amigos, busca na internet e conversa com o padre na igreja. Enfim, descobre exatamente o que deve que fazer para mudar, e mesmo assim acaba não conseguindo.
As pessoas que fazem este amplo estudo precisam, no entanto, sair da racionalização. Como assim?
Elas precisam voltar para si mesmas, fazer amplos exercícios de reflexão, entender suas emoções e sentimentos. E também entender a própria história de vida, para entender se há elementos dela influenciando no presente.
Isso é articular razão e emoções. Somente esta integração entre as partes possibilita mudanças  --  o universo emocional isoladamente também não basta para a mudança.
Mesmo assim, ainda pode não ser o suficiente. Pois certas emoções e histórias requerem apoio profissional para serem resgatadas e elaboradas. E transmitidas para a vida de forma responsável e saudável.
A integração mobiliza o organismo, ajudando-o a sair do enrijecimento.

Ausência ou insuficiência de auto-responsabilização

Responsabilizar-se pelas experiências é fundamental para conseguir fazer alguma transformação.
Culpar os outros pelo que aconteceu na sua vida, é um motivo que mantém muitas pessoas inflexíveis e imaturas.
É importante reconhecer que as coisas que você sente e faz não acontecem porque tal pessoa fez algo com você e te forçou a ser assim ou fazer aquilo.
Você é assim hoje por escolha sua! Quando as pessoas reconhecem a importância do fator escolha em suas vidas, ganham muito mais chances de conseguir mudar.
Ganham o poder sobre a própria vida que todo mundo deve ter, e a partir de então conseguem ser seu próprio guia, e deixam de agir reativamente e inflexivelmente em suas relações pessoais.

Insensibilidade ao próprio processo existencial

Também essencial para conseguir mudar, é ter sensibilidade ao próprio processo de vida. As pessoas geralmente querem "mudar da água para o vinho". Cobram-se muito e perdem a confiança em si mesmas, pois elevam os níveis de exigência nas alturas.
As pessoas precisam estar atentas às pequenas vitórias, pois elas são necessárias para a mudança final. Por exemplo, se quer ser uma pessoa menos ansiosa, não se cobre para ficar despreocupada com tudo. Tente primeiro reconhecer suas emoções amplamente e respirar devagar – prestando atenção à inspiração e expiração lentas do ar. Reflita em seguida sobre como foi a experiência e o que sentiu e pensou. Dessa forma, você já estará fazendo algo diferente e positivo do que costuma fazer.
Dessa forma, você já avançará tremendamente, pois é um passo de cada vez, e cada passo é uma grande vitória.
Na psicoterapia, por exemplo, uma das coisas que os clientes aprendem a fazer é ficarem mais sensíveis ao processo existencial. Cada mudança sutil é muito bem-vinda, pois é assim que as mudanças acontecem.
As mudanças são como um arco-íris. Vemos as principais cores, mas para ir da cor inicial à final precisamos passar por todas outras. E ainda, entre cada uma das cores há uma infinidade de matizes. É preciso aprender a ter sensibilidade para perceber as sutis diferenças entre cada um desses matizes durante a mudança.
mudança arco-íris
Fonte: http://siteware.com.br/contentools/mudan%C3%A7a_borboleta.png
Enfim, para qualquer mudança que você esteja tentando fazer, o apoio de um(a) psicólogo(a) pode fazer toda a diferença.

Este artigo foi útil? Deixe sua opinião nos comentários!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Psicólogo é para doido? Resposta definitiva

Afinal, psicólogo é para doido? A resposta simples é: depende! É uma pergunta que tem resposta sim, mas precisamos entender a pergunta para respondê-la. Primeiro, o que você está chamando de doido? Se existem doidos, existem pessoas normais? Supostamente sim, certo? Se tem gente doida, também tem gente não-doida, que é o que no senso comum dizemos que são pessoas “normais”. Se você chama de doido aquelas pessoas que precisam de cuidados especiais no quesito saúde mental, então você está se referindo às pessoas com transtornos mentais e com sintomas psicóticos. Psicólogos também tratam e ajudam essas pessoas. Então, olhando por este lado, psicólogo é para doido sim. Mas a resposta mais adequada é: psicólogo é para doido também! O também é explicado pelo fato de psicólogos terem condições de ajudar (e muito) pessoas que não sofrem de transtornos mentais também! Por exemplo, a maioria dos meus clientes não tem nenhum transtorno mental, mas vivem situações que trazem sofrimento. E é por isso qu…

Auto-suporte

O assunto de hoje é auto-suporte (ou auto-apoio). Escolhi este tema devido a uma reflexão pessoal à qual a prática clínica tem constantemente me levado nos últimos anos. Não sei se é um sintoma da nossa sociedade contemporânea, mas tenho visto com muita frequência uma dificuldade geral das pessoas em suportar-se a si mesma (o pleonasmo é intencional), e tendendo a buscar apoio externamente; no meio, ou no outro. E neste contexto, a palavra suporte refere-se desde o aspecto emocional – buscar desfazer-se da dependência emocional do outro – até aspectos objetivos – mobilizar a energia necessária para correr atrás de seus objetivos de vida por conta própria.
Tenho visto, a cada dia, as pessoas buscando apoio no outro de forma exagerada, de modo a delegar ao outro a responsabilidade de fornecer as ferramentas necessárias para seu crescimento. Isso acontece, principalmente, devido ao modo como lidamos com nossas frustrações. Um exemplo comum, utilizado por Perls (1977), refere-se a um discu…

Polaridade

Todos nós já experimentamos, em algum momento, um dilema interno. Alguns dos mais comuns são: razão X emoção, querer X dever, eu X o outro, quem eu sou X quem eu queria ser. Além disso, existem também aqueles conflitos gerados por características internas opostas que possuímos, mas que não acreditamos poderem coexistir, em função de suas naturezas contraditórias. Por exemplo, posso possuir a característica do altruísmo, mas também a sua polaridade, o egoísmo. Nessas situações, é como se sentíssemos que nossas forças internas estão agindo em sentidos opostos.
Normalmente, tendemos a pensar que temos que escolher entre um e outro. O clássico conflito razão X emoção é um excelente exemplo que pode surgir em momentos de decisão, e que geralmente acaba nos levando a uma interminável disputa interna. O mesmo acontece com a nossa realidade interior, uma vez que possuímos tanto características aceitáveis quanto inaceitáveis, de acordo com a norma socialmente difundida e, nesses casos, acabamos…